WhatsApp finalmente lança versão web

 

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Demorou, mas o WhatsApp finalmente chegou ao desktop. A empresa anunciou nesta quarta-feira, 21/1, um cliente web para Chrome pelos sistemas Android, Windows Phone e BlackBerry – o iOS ficou de fora por enquanto.

Ao acessar o endereço web.whatsapp.com, o usuário se depara com um site do WhatsApp em que a empresa confirma a nova versão web do conhecido aplicativo de mensagens.

Por enquanto, as funções do cliente web ainda são bem limitadas, já que é preciso manter o seu smartphone conectado à Internet para o app funcionar no desktop.

Além disso, todas as suas mensagens continuarão no seu telefone celular. No entanto, a empresa diz que espera dar mais flexibilidade para os usuários em breve.

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Artigo publicado no IDGNow!

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Informação e software, os propulsores da inovação

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Recentemente li o relatório da Strategy&, o “The 2014 Global Innovation 1000: Proven Paths to Innovation Sucess”. Sua leitura nos permite gerar alguns insights interessantes. O primeiro é que não há uma relação direta entre investimentos em P&D e desempenho do negócio, como aumento da receita ou lucratividade. Gastar muito dinheiro em P&D sem uma estratégia bem definida vai produzir poucos resultados.

Tem uma frase antológica de Steve Jobs, ainda em 1998, em entrevista para Fortune: “Innovation has nothing to do with how many R&D dollars you have. When Apple came up with the Mac, IBM was spending at least 100 times more on R&D. It’s not about money. It’s about the people you have, how you’re led, and how much you get it”.

Outro ponto que chama atenção é o forte crescimento de P&D em setores de computação como software e Internet. Mesmo em outros setores com forte investimento em pesquisa, como na indústria automobilística, a maior parte das pesquisas concentra-se no desenvolvimento de inovações de software.

Um terceiro aspecto (e de muita importância) é que as empresas mais inovadoras têm pontos em comum, como alinhamento das inovações com as necessidades e desejos dos clientes, manutenção de talentos adequados, forte alinhamento entre pesquisa e a estratégia do negócio e boa compreensão das tendências tecnológicas e de mercado. Além disso, não tentam ser boas em tudo, concentram-se em ser inovadoras em alguns poucos setores. Parece óbvio, mas sem engajamento entre o negócio e o P&D, gera-se poucos resultados palpáveis. Além disso, nos últimos anos, com a Internet se disseminando e emponderando os clientes, acabou-se o tempo onde as empresas definiam quais produtos e serviços seriam oferecidos e o mercado simplesmente os aceitava. Agora, os clientes não querem mais um papel figurativo. Eles querem influenciar  e muitas vezes eles mesmos criam seus produtos em plataformas de compartilhamento, como a Kickstarter. E em breve, com uma maior disseminação das impressoras 3D, este processo vai se acelerar.

O relatório da Strategy& define três tipos de empresas inovadoras: as “Need Seekers”, como a Apple, que têm como seu ponto alto a percepção do que seus clientes precisam ou precisarão, e geram inovações para atender ou mesmo criar esta demanda. Isso é possível por terem uma compreensão superior à média dos desejos atuais e futuros de seus clientes. Outra classificação são os “Market Readers”, como a Samsung, que concentram-se em inovações incrementais em produtos já provados no mercado. E a terceira são os “Technology Drivers”, como o Google, que se baseiam na sua forte cultura tecnológica e empreendedora para desenvolver novos produtos e serviços. Estes três modelos são distintos, mas permitem ás empresas serem extremamente inovadoras. Todos os três exemplos acima estão na lista Top 10 (“The 10 Most Innovative Companies) que está incluída no relatório. Vale a pena lê-lo.

Está claro que tecnologia, como software, hoje é essencial como força inovadora. Portanto as áreas de TI das empresas têm um papel importante a cumprir. A questão é saber se aproveitarão as oportunidades ou se manter-se-ão, como muitas, à margem das inovações, concentrando seus esforços apenas na eficiência operacional; o dia a dia dos negócios.

O que elas devem fazer? Incentivar na sua organização a pergunta preferida das crianças que é o “por que?”. O que esta pergunta representa é a curiosidade em saber a “razão de ser” de cada novo objeto, comportamento ou situação, descobrir  a essência das coisas, aquilo que realmente importa. Infelizmente, nas ultimas décadas, na maioria das empresas, a TI ficou concentrada em fazer as coisas de forma melhor e mais rápida sim, mas as mesmas coisas. O “por que” foi trocado pelo “como”. Um “como” mais rápido e mais barato, mas continua sendo um “como” ou eficiência operacional como epicentro da razão de ser da TI.

A evolução tecnológica da computação é fantástica. O crescimento da capacidade computacional é logarítmica (lei de Moore), mas apesar deste crescimento, os preços não acompanham esta curva – pelo contrário! Assim, à medida que a capacidade computacional aumenta, os preços diminuem e sua disseminação se amplia. Estima-se que em 2008 o mundo adicionou cerca de 5 exaflops (10 elevado a 18 instruções de ponto flutuante por segundo) de capacidade computacional a um custo aproximado de U$ 800 bilhões. Em 2012, foram adicionados 20 exaflops a um custo de menos de U$ 1 trilhão e neste ano de 2014, mais 40 exaflops a aproximadamente  mesmo valor de 2012. Há 20 anos, apenas 3% da população tinha celulares e 1% acessava a Internet. Hoje, cerca de 70% das pessoas no mundo dispõem de celulares (cerca de 2 bilhões são smartphones) e aproximadamente metade acessa a Internet.

Que isto significa? Que a tecnologia está cada vez mais pervasiva, fazendo parte dos negócios e sendo o cerne das inovações. Isso implica que os executivos (C-level) têm que ter hoje uma percepção clara do potencial da tecnologia e de seus impactos no futuro de suas organizações. Tecnologia e inovação não podem ficar relegados à centros de pesquisa e a computação não é mais monopólio do setor de TI.

O uso inovador da TI pode criar novos modelos de negócio. Por exemplo, os carros autônomos vão mudar a indústria automobilística: o modelo de ter ou possuir um veículo provavelmente passará a ser o de compartilhar o veículo. E modelo atual da indústria se transformará de fabricante de veículos a empresas de serviços de mobilidade pessoal. Afetará também a indústria de seguros para automóveis. Será necessário vender um seguro para um veículo que não colidirá e se for roubado indicará onde está e se auto-bloqueará?

Outro exemplo é a indústria hoteleira. O modelo proposto pela Airbnb coloca em cheque uma legislação criada há décadas que diferenciava indivíduos de empresas (as leis para empresas são diferentes das leis para pessoas) e apenas estas eram consideradas oficiais e legais. Mas o modelo de compartilhar, a “sharing economy”, pode possibilitar que qualquer pessoa se transforme em microempreendedor. E a validação oficial se dará não pela forma tradicional, ou pela regulação por órgãos públicos, mas pela reputação social. Para ler um pouco sobre “sharing economy” acessem este artigo da Fast Company.

Bem, se compararmos Airbnb com uma grande rede hoteleira, como Accor, vemos que esta, apesar de ter 3.600 hotéis e mais de 470.000 quartos, tem um valor de mercado de US$ 10,3 bilhões. Airbnb não tem um único quarto seu, nunca comprou um saco de cimento e é uma empresa de software. Mas dispõe de 800.000 opções de acomodação e tem valor de mercado estimado em US 13 bilhões. O que ela tem de diferente? Informação e software. A informação vale tanto quanto dinheiro, tanto quanto um pacote entregue por uma empresa de logística e no caso do setor hoteleiro, tanto ou mais quanto um quarto…

Diante deste cenário, TI tem que se reinventar. Fazer também seus próprios “por que’s”. Será que o modelo tradicional de desenvolver e entregar sistemas, em lotes, se adequa à velocidade dos novos tempos? Este artigo na Forbes, “The Future Workplace is now: how Etsy makes 30 innovations per day” mostra que é possível repensar o modelo mental a qual nos acostumamos em TI. Aproveitem e leiam “Why software is eating the world” e façam seus “por que’s”. Caso contrário, alguém pode pensar que não existe mais o porque da atual TI…

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Artigo de Cesar Taurion, publicado no iMasters.

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Novas perspectivas para a web móvel

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Lembra quando você entrava no carro antigo da sua família e pedia para ligar o toca fitas do veículo? Pois bem, esse é um exemplo dos riscos de focar no dispositivo e não na tecnologia e conteúdo que ele suporta. Se ao ler as palavras “web móvel” no título deste artigo você pensou imediatamente em telefone celular ou tablet, sinta-se convidado a uma nova reflexão.

Apesar desta associação ser a mais corriqueira (afinal, esses são os dispositivos mais populares habilitados para a Web), essa realidade está prestes a mudar – e os óculos high tech não são nem o começo dessa mudança. Em um futuro não muito distante, teremos a Web presente nos mais inusitados produtos e objetos, quem sabe até no guarda-chuva. De tão comum, a Web tende a se tornar imperceptível, assim como a luz elétrica. O que hoje conhecemos por “web móvel” está fadado a extinção: teremos apenas a Web, simplesmente. Dentro desse cenário é necessário ampliar as possibilidades de desenvolvimento para múltiplos dispositivos.

As boas práticas de web móvel devem pelo menos considerar cinco dimensões: o usuário temporariamente desconectado, acesso em todos os lugares, em diferentes dispositivos, usabilidade da aplicação, performance e acessibilidade. Vejamos cada uma delas.

Alguns conceitos interessantes surgiram nos últimos anos, a exemplo do Mobile First e Offline First. Como os próprios nomes já sugerem, os dois termos pressupõem uma quebra do padrão atual, que é o desenvolvimento inicial de website para desktop. Ambos possuem um potencial a ser explorado para aprimorar a experiência do usuário. No caso do Mobile First, um conceito mais antigo e conhecido entre os desenvolvedores, a principal vantagem está no foco para o que realmente é prioridade no projeto. Já o conceito off-line, em primeiro lugar ele considera que os sítios devem estar preparados para momentos sem conexão à Internet.

Vamos imaginar a situação de um usuário que está no táxi e aproveita a corrida para navegar e preencher dados na Web a partir do telefone celular. O carro passa por um túnel, fica preso em um engarrafamento e a conexão à Internet cai. Trabalho perdido? Sim, a menos que o website permita ao usuário armazenar o conteúdo off-line. Hoje, é possível e importantíssimo desenvolver uma aplicação para a Web considerando que o usuário pode estar sem Internet. A aplicação salva os dados no dispositivo e, quando a conexão for restaurada, os dados serão enviados e sincronizados. Muitas vezes o usuário nem percebe toda essa “mágica” que pode ser feita utilizando a especificação da API Web Storage, que possui formas mais sofisticadas de manter os dados no browser.

Falando um pouco sobre as boas práticas para a web móvel, é importante abordar o conceito de Web única e em todos os lugares. Aqui é possível ilustrar com outro exemplo do dia a dia: se você está fazendo uma compra online a partir do desktop do escritório, mas percebe que está atrasado para um compromisso e precisa sair às pressas, a compra será encerrada? Não necessariamente. A depender do siteo do comércio eletrônico, você pode continuar de onde parou por meio de um dispositivo móvel ou mesmo em outro computador. Dessa forma, o projeto de conteúdo do sítio considera a experiência de uso em diferentes dispositivos e não apenas em um único computador. Dessa forma, os custos relacionados ao uso serão reduzidos, as páginas serão mais flexíveis e atenderão às necessidades de um número maior de usuários.

Existem frameworks que facilitam o trabalho do design responsivo. É preciso, no entanto, ficar atento às adaptações necessárias de cada projeto. Há quem pense que é só usar estes frameworks e tudo estará resolvido… Mas não é bem assim. Muitas vezes utilizar um framework robusto é como usar um elefante para matar uma formiga. Dependendo da aplicação, muito do potencial do framework não será utilizado de forma plena, deixando o projeto pesado, lento e com performance comprometida.

Outro ponto que merece destaque é o aperfeiçoamento da navegação. A utilização de telas e teclados pequenos e uma largura de banda limitada precisam ser levadas em consideração pelo desenvolvedor. Com isso, mecanismos de navegação consistentes e teclas de acesso rápido são extremamente úteis. Ainda falando sobre usabilidade, é importante facilitar a entrada de dados. Isso quer dizer, pensar na ordem de tabulação, rótulos e posições de controle em formulários, entre outros aspectos. É importante lembrar que o uso dos novos elementos de formulário, os web forms do HTML5 facilitam a usabilidade para web móvel em virtude dos novos input types, que dão significado onde antes só havia imput type=”text”. Mas a recomendação básica para formulários é mantê-los simples, já que o usuário tem um espaço limitado para sua interação.

A performance de um website é fundamental para qualquer negócio e também deve ser testada. As funções dos protocolos Web podem melhorar a experiência do usuário ao reduzir os gargalos e o tempo de espera na rede. Existem ferramentas online que testam o desempenho e ajudam a checar, por exemplo, se o sítio está muito pesado ou quanto tempo demora para carregar. Às vezes, ele faz muitas requisições ao servidor, o que aumenta o consumo de banda. Se o usuário tem um plano pré-pago, por exemplo, pode ser prejudicado ou evitará acessar o sítio novamente.

Outra recomendação básica é adotar padrões Web e considerar a acessibilidade também no dispositivo móvel. Muitas vezes a acessibilidade não está no código e sim na interface. Imagine a situação de um usuário caminhando pela rua e procurando um endereço sob incidência de sol na tela do seu smartphone. Ele precisa ter um contraste adequado para ler aquele conteúdo de forma plena.

A pesquisa TIC Domicílios 2013, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), ajuda a ilustrar a dimensão do uso da Internet pelo celular no Brasil: o percentual de usuários mais do que dobrou nos últimos dois anos. Em 2011, esse número era de 15% dos brasileiros com 10 anos ou mais, cresceu para 20%, em 2012, e chegou a 31%, em 2013 – o que representa 52,5 milhões de pessoas em números absolutos. Entre as atividades mais realizadas, estão o uso das redes sociais (30%), compartilhamento de fotos, vídeos ou textos (26%), acesso aos e-mails (25%) e baixar aplicativos (23%).

O W3C tem a missão de assegurar que a Web esteja disponível em todos os tipos de dispositivos e em qualquer situação. Quem trabalha com web móvel e tem interesse em se aprofundar e contribuir com o tema pode participar do Interest Group Mobile Web, um fórum de discussão sobre os requisitos de tecnologias Web que permitem o desenvolvimento para dispositivos móveis. O W3C ainda traz mais dicas para otimizar o desenvolvimento na web móvel (baixe o pdf). Outra referência e dica de leitura é o Guia de Boas Práticas em web Móvel (pdf).

E fique atento: pode ser que falar em web móvel daqui a alguns anos soe tão antiquado como falar sobre o toca fitas de um carro. Falaremos apenas de Web.,

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Artigo de Reinaldo Ferraz, publicado originalmente no iMasters.

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A computação cognitiva já está entre nós…

computacao cognitiva

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Recentemente fiz uma palestra sobre tendências e concentrei o tema na chamada computação cognitiva, que talvez não seja o nome mais apropriado, mas representa a computação que embute “inteligência” suficiente para efetuar tarefas que antes apenas humanos conseguiam fazer. Fiz questão de enfatizar que outras tecnologias como mobilidade, cloud computing, big data e Internet das coisas já não são mais tendências e nem emergentes, mas fazem parte da nossa vida. A ‘appficação’ da sociedade já é um fato e só vai aumentar nos próximos anos.

Em cloud computing não estamos mais discutindo se vamos, ou não; mas estamos tentando explicar porque ainda não fomos – muitas vezes agarrados a paradigmas que perderam sua essência. O big data já é o cerne de negócios como Google, Facebook, Linkedin e em muitas empresas de varejo, transporte aéreo, bancos etc. Já existem ao redor do mundo muitos casos de sucesso na geração de insights e inteligência a partir da exploração de dados e qualquer sistema de e-commerce que se proponha a ser medianamente inteligente deve embutir algoritmos de recomendação em sua operação. A Internet das coisas já está na nossa vida. Basta ver como os aviões, navios e automóveis estão cada vez mais automatizados. Os automóveis estão caminhando rápido para serem veículos autônomos ou quase autônomos e dirigir, na próxima década provavelmente será uma tarefa opcional. Veículos autônomos, interagindo uns com os outros vão eliminar sinais de tráfego, por exemplo. Talvez até mesmo os seguros de veículos como feitos hoje poderão ser considerados dispensáveis… Talvez hoje a principal barreira não seja a tecnologia embarcada, mas a regulação de como tornar esta automação viável na nossa sociedade. A tecnologia embarcada neles, ainda cara hoje, tende a baratear dramaticamente nos próximos anos. Vejam que a discussão já não está mais na questão de se é possível ou não um carro autônomo, mas de regulação. Este texto é bem interessante.

E quanto à computação cognitiva? Lembro que em 2004 (há dez anos…) li um livro que me chamou muito a atenção. O titulo é “The New Division of Labor: How Computers Are Creating The Next Job Market”, dos economistas Frank Levy e Richard Murnane. Diante da acelerada evolução tecnológica, os autores argumentaram que os computadores assumiriam o lugar das atividades humanas em muitas tarefas, mas não poderiam operar em outras. As tarefas que envolvessem percepção sensorial, reconhecimento de padrões e conhecimento conceitual continuariam exclusivas dos seres humanos. Eles fizeram a distinção entre conhecimento tácito e explícito. O explícito, ou declarativo, poderia ser expresso via instruções orais ou escritas e, portanto, programáveis. Os computadores poderiam assumir todas as tarefas explicitas. Já o conhecimento tácito refere-se a tudo aquilo que fazemos mas não conseguimos claramente definir como fazemos. Aprendemos e internalizamos o conhecimento (como dirigir um veiculo, por exemplo). Mesmo que consigamos explicar como fazer uma ultrapassagem, dificilmente alguém repetiria exatamente nossas ações. Não existe uma receita simples e declarativa para estas tarefas. Assim, o conhecimento tácito continuaria inerentemente humano. O carro do Google rompeu estas barreiras. E novos sistemas de interface e diálogo em linguagem natural como o Siri, Cortana, Google Now e o Watson quebram mais uma vez a barreira entre o tácito e o explícito.

Os sistemas cognitivos são o resultado da convergência de avanços significativos em vários ramos da ciência da computação, como hardware (processadores e storage mais poderosos e baratos), processamento de linguagem natural, “machine learning, como redes neurais”, reconhecimento de padrões etc. Recomendo a leitura de um livro muito interessante que aborda esta questão: “The Second Machine Age: work, progress and prosperity in a time of brilliant technologies”, de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee. Estes sistemas têm o potencial de criar rupturas nas empresas e na sociedade, mudando inclusive a natureza do trabalho. Não são só as tarefas explícitas que podem ser automatizadas, mas as tácitas também (um veículo autônomo, por exemplo, pode dispensar o motorista). O vetor resultante cria um impacto potencial significativo na nossa sociedade.

Atividades efetuadas hoje por indivíduos, como atendimento em call center e suporte administrativo, podem ser inteiramente substituídas por estes sistemas. Também não seria inimaginável pensar que diversas tarefas ligadas a setores como educação, direito e saúde também poderiam ser efetuadas por sistemas “inteligentes”. Alguns exemplos de como isto está começando a se tornar realidade podem ser vistos no texto do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, que aborda como a computação pode ajudar na medicina (no caso oncologia), e nas empresas de serviços de saúde, como na aprovação de exames especializados (podemos ver aqui). Ambos são casos de uso do Watson, da IBM.

O exemplo da computação “inteligente” ajudar no diagnóstico médico muda nossa maneira de ver as coisas. O sistema auxilia no diagnóstico acessando mais de 600 mil relatórios de evidência médica, dois milhões de páginas de texto de 42 publicações especializadas em câncer e 1,5 milhão de registros e exames de pacientes. O sistema compara cada sintoma de cada indivíduo, sinais vitais, histórico familiar, medicamentos já aplicados, genética e rotina diária (como alimentação e exercícios) para diagnosticar e propor um plano de tratamento específico. Muito difícil para qualquer médico conseguir analisar tal volume de informações para cada paciente. Na área do direito, um sistema cognitivo pode analisar milhões de casos precedentes para descobrir e recomendar uma linha de ação. Talvez não seja mais necessário uma legião de estagiários para fazer tal tarefa…

Claro, chegar lá não é simples, como mostra as primeiras experiência na área, por exemplo, com o Watson. Mas, há dez anos tal tarefa era considerada fora do escopo da computação e agora estamos discutindo qual seu grau de eficiência. Um avanço e tanto em meros dez anos. O desafio é que as mudanças acontecem em ritmos cada vez mais acelerados. Há uns 20 anos apenas 3% da população mundial tinha celulares e uma ínfima parcela de 1% acessava a Internet. Há dez anos não existiam iPhone, iPads, Facebook, YouTube e Twitter. O fato do Watson não acertar tudo, ou o Siri tropeçar nas respostas, não significa que daqui a poucos anos sua margem de acerto não será imensamente maior.

Portanto, devemos estar preparados para as tecnologias futuras. Precisamos entender como elas mudarão a sociedade, a economia e a forma de atuação das nossas empresas. A destruição criativa, como disse Joseph Schumpeter, continua ativa. Desloca empresas e setores consolidados e cria aberturas para novos modelos de negócio. As tecnologias como a computação cognitiva já não estão mais no campo da ficção cientifica, mas na questão de quando e em que intensidade vão transformar nossas organizações.

Nesta e nas próximas décadas os executivos de negócio devem compreender e usar a tecnologia como força de ruptura nos seus negócios. O mundo evolui na velocidade da Internet e tentar se segurar com a ilusão que “meu negócio é estável e não vai mudar, pois não mudou nos últimos anos”, provavelmente não o protegerá da inevitável transformação. A combinação do efeito de múltiplas tecnologias que evoluem rapidamente afetará todas as empresas e criará mudanças significativas na natureza do trabalho atual. Novas capacitações serão requeridas e novos modelos de negócio surgirão. Estamos nos preparando?